domingo, 27 de novembro de 2016

Estou com medo. Medo de perder o emprego que tenho desde 2005. Era nova e abracei esta função com todas as minhas forças. Empenhei-me de tal forma que acho que não sei fazer mais nada. Acho que deixei passar muitos momentos de lazer e agora sinto-me só.
Tenho medo de falhar. Mas isso sempre tive. Penso nas coisas com sucesso que já fiz, mas sei que diminuo tudo com o medo que tenho de enfrentar o amanha.
Deixo que as pessoas me magoem. Mas isso não pode ser.
Tenho de recuperar a confiança em mim.
Tenho de ser positiva e acreditar. Acreditar em mim, Acreditar que os outros não me odeiam. E que se assim fôr isso não tm importância. Acreditar que sou capaz de ultrapassar as dificuldades. Acreditar que tenho de me valorizar. Acreditar.

sofia

terça-feira, 3 de maio de 2016

memórias de maio


Por vezes o passado cola-se na nossa pele. Parece que revivemos tudo outra vez e que em vez de sentirmos o presente voltamos a viver as mesmas emoções embora com anos de diferença.

Sentimos cada momento, como se o intervalo de tempo que decorreu não tivesse importância nenhuma.

Em 22 anos estudei imenso, mudei de cidade, viajei, conheci pessoas, iludi-me e desiludi-me mas nada disso parece importar quando chego a 1 de Maio e por coincidência e Domingo.

Volto a ouvir a minha mãe na hora do lanche a chamar por mim e a dizer que o Ayrton Sena morreu. Volto a sentir o carinho da dona M. quando me voltas costas, sem eu ainda perceber porquê, a dizer-me que não me preocupe que ela acompanha-me a casa. Volto a sentir a tristeza por não saber de ti e perceber que o meu melhor amigo se afastou. Volto a sentir a feira das cantarinhas não como a feira das cerejas que o meu avô me dava na infância, mas como o peluche cor-de rosa do teu amor da adolescência.
 
sofia

terça-feira, 26 de abril de 2016


Escavação

Numa ânsia de ter alguma cousa,
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar,
E a minh'alma perdida não repousa.

Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à fôrça de sonhar...

Mas a vitória fulva esvai-se logo...
E cinzas, cinzas só, em vez do fogo...
- Onde existo que não existo em mim?

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

Um cemitério falso sem ossadas,
Noites d'amor sem bôcas esmagadas -
Tudo outro espasmo que princípio ou fim...

Mário de Sá-Carneiro, in 'Dispersão'  
19 Mai 1890 // 26 Abr 1916

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

um pouco de calma

Por vezes precisava de acreditar mais em mim, De me lembrar dos obstáculos que fui ultrapassando, das conquistas que fui fazendo e das vezes que contrariei quem pensava que eu não era capaz.
Não sou nem melhor, nem pior que os outros. Sou apenas eu. Uns dias calma e de bem com a vida. Uns dias apavorada a pensar no que de mal pode acontecer. Hoje é um desses dias. Tremo só de pensar que não sou suficientemente boa para manter este emprego. Tremo de pensar que não faço o suficiente. Tremo de pensar que sou uma decepção para toda a gente que me rodeia.

Deixei que entrassem na minha cabeça as críticas que estou à espera de ouvir. Algumas serão justas, outras nem por isso. Mas neste momento gasto as minhas energias numa defesa antecipada.

Só queria um pouco de calma.

sofia

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

terça-feira, 22 de setembro de 2015

poemas que gostava de ter escrito

Quase um Poema de Amor

"Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
— Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor. "

Miguel Torga, in 'Diário V'

domingo, 13 de setembro de 2015

banda sonora do dia

https://www.youtube.com/watch?v=mzYE8U5SrTw


"....
E durante isso tudo ela me oferece proteção
Muito amor e afeição
Esteja eu certo ou errado
E correnteza abaixo
Onde quer que isso possa me levar
Eu sei que a vida não me arruinará
Quando eu vier chamar ela não me abandonará
Estou amando anjos em vez disso"