A primeira vez que falamos on-line estava a preparar um trabalho específico. Não sei o que me levou a ligar o chat nesse dia. Parecia que algo me estava a chamar para ti. Tenho na minha memória que foi uma questão de segundos, entre o momento de eu ligar e tu entrares em contacto comigo. O trabalho nesse dia não rendeu. Estava demasiado surpreendida com o interesse que estava a despertar em ti. Demasiado confusa para perceber que estava a embarcar numa aventura estranha. Demasiado carente para aceitar tudo o que quisesses oferecer e dar-me sem reservas. Fomos evoluindo numa espiral crescente de loucura sem regras. Fiquei cada vez mais ligada a ti. Dependente da tua atenção do teu interesse.
No fundo sempre soube que estávamos numa entrega desigual. Sempre te vi como uma pessoa. Sempre fui um objecto para ti.
Custa-me acreditar nisso, mas no fundo sei que é verdade. Sempre soube, mas sabia tão bem acreditar no contrário.
Ainda há em mim um resto de esperança de podermos ser amigos. Há coisas em ti de que eu gosto.
Hoje estou a fazer o mesmo tipo de trabalho. Estou longe, estou só e tu nem perguntas como eu estou. Precisei de escrever este texto para me convencer que este ciclo deve fechar. Tenho uma motivação extra para trabalhar. E tu és essa motivação.
Para ti apenas um beijo, com todo o carinho pelos momentos bons passamos.
sofia
Adenda: sofrer com saudades tuas, saudades do que nunca existiu é um luxo que eu agora não me posso permitir.