Por vezes ao lermos um livro deparamos com frases que dizem tudo aquilo que sentimos/pensamos mas que nunca conseguimos expressar tão claramente. Foi o que aconteceu quando estava a ler "A Filha do Capitão" do excelente escritos José Rodrigues dos Santos. Foi logo nas primeiras páginas desse romance que encontrei algo com que sempre me identifiquei:
"Na vida, concluira um dia, todos têm direito a um grande amor. Uns achá-lo-iam num cruzamento perdido e com ele seguiriam até ao fim do caminho, teimosos e abenegados, até que a morte desfizesse o que a vida fizera. Outros estavam destinados a desconhecê-lo, a procurar sem o descobrirem, a cruzar-se numa esquina sem jamais se olharem, a ignorar a sua perda até desaparecerem na neblina que pairava sobre o solitário trilho para onde a vida os conduzira. E havia ainda aqueles fadados para a tragédia, os amores que se encontravam cedo e cedo percebiam que o encontro era afinal efémero, furtivo, um mero sopro na corrente do tempo, um cruel interlúdio antes da dolorosa separação, um beijo de despedida no caminho da solidão, a alma abalada pela sombria angústia de saberem que havia um outro percurso, uma outra existência, uma passagem alternativa que lhes fora para sempre vedada. Esses eram os infelizes, os dilacerados pela revolta até serem abatidos pela resignação, os que percorrem a estrada da vida vergados pela saudade do que poderia ter sido, do futuro que não existiu, do trilho que nunca percorreriam a dois. Eram esses que estavam indelevelmente marcados pela amarga e profunda nostalgia de um amor por viver."
José Rodrigues dos Santos, in "A Filha do Capitão"
Sempre me senti a viver a terceira hipótese descrita. Será que ainda vou a tempo de viver a primeira hipótese?
sofia
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