terça-feira, 3 de maio de 2016

memórias de maio


Por vezes o passado cola-se na nossa pele. Parece que revivemos tudo outra vez e que em vez de sentirmos o presente voltamos a viver as mesmas emoções embora com anos de diferença.

Sentimos cada momento, como se o intervalo de tempo que decorreu não tivesse importância nenhuma.

Em 22 anos estudei imenso, mudei de cidade, viajei, conheci pessoas, iludi-me e desiludi-me mas nada disso parece importar quando chego a 1 de Maio e por coincidência e Domingo.

Volto a ouvir a minha mãe na hora do lanche a chamar por mim e a dizer que o Ayrton Sena morreu. Volto a sentir o carinho da dona M. quando me voltas costas, sem eu ainda perceber porquê, a dizer-me que não me preocupe que ela acompanha-me a casa. Volto a sentir a tristeza por não saber de ti e perceber que o meu melhor amigo se afastou. Volto a sentir a feira das cantarinhas não como a feira das cerejas que o meu avô me dava na infância, mas como o peluche cor-de rosa do teu amor da adolescência.
 
sofia