Por vezes o passado cola-se na nossa pele. Parece que revivemos tudo outra
vez e que em vez de sentirmos o presente voltamos a viver as mesmas emoções
embora com anos de diferença.
Sentimos cada momento, como se o intervalo de tempo que decorreu não
tivesse importância nenhuma.
Em 22 anos estudei imenso, mudei de cidade, viajei, conheci pessoas,
iludi-me e desiludi-me mas nada disso parece importar quando chego a 1 de Maio
e por coincidência e Domingo.
Volto a ouvir a minha mãe na hora do lanche a chamar por mim e a dizer que
o Ayrton Sena morreu. Volto a sentir o carinho da dona M. quando me voltas
costas, sem eu ainda perceber porquê, a dizer-me que não me preocupe que ela
acompanha-me a casa. Volto a sentir a tristeza por não saber de ti e perceber
que o meu melhor amigo se afastou. Volto a sentir a feira das cantarinhas não
como a feira das cerejas que o meu avô me dava na infância, mas como o peluche cor-de
rosa do teu amor da adolescência.
sofia
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